
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta segunda-feira (25), no Rio de Janeiro, que o Brasil mantém diálogo com a China para rever no ano que vem a salvaguarda aplicada às importações de carne bovina. A medida chinesa estabelece uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas com isenção, enquanto o volume excedente é tributado em 50%. Segundo o ministro, o objetivo é retirar a limitação e reduzir a sobrecarga sobre os embarques brasileiros.
Ao comentar o tema a jornalistas, Márcio Elias Rosa disse que a China segue como mercado estratégico para as exportações brasileiras, apesar da restrição aplicada neste ano. De acordo com as informações apresentadas, o Brasil tem exportado cerca de 1,5 milhão de toneladas de carne bovina ao país asiático, acima do teto de 1,1 milhão de toneladas. Nesse modelo, a parcela excedente paga sobretaxa de 50%.
O dado é relevante para a cadeia pecuária porque a China é o principal destino da carne bovina brasileira. Com a tributação sobre parte do volume, o setor passa a operar com menor margem nos embarques que ultrapassam a cota anual, ainda que o produto brasileiro siga competitivo, segundo o ministro.
Márcio Elias Rosa afirmou que o cenário considerado ideal pelo Brasil é a retirada da cota e da sobretaxa. Ele também informou que autoridades chinesas retiraram a suspensão de três frigoríficos brasileiros, impedidos de exportar para aquele mercado desde março de 2025.
Além disso, o ministro disse haver expectativa de habilitação de pelo menos mais 30 frigoríficos ainda neste ano. O avanço, se confirmado, amplia a capacidade formal de acesso de plantas brasileiras ao mercado chinês, mas o governo não detalhou prazos, unidades envolvidas nem estágio das negociações.
Ao tratar do comércio internacional, o ministro também defendeu a importância da Organização Mundial do Comércio (OMC) no sistema multilateral, em um contexto de maior peso das negociações entre parceiros e blocos.
No curto prazo, o fluxo de exportação continua condicionado à regra atual da cota chinesa e ao custo adicional sobre o excedente. A eventual revisão da salvaguarda e a habilitação de novas plantas dependem do andamento das tratativas bilaterais, sem calendário oficial detalhado até o momento.