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Estão disponíveis as agromensais de março/26

Por: CEPEA - ESALQ/USP | 10 de abril de 2026

O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, disponibiliza hoje as agromensais de março de 2026.

Confira aqui!

Abaixo, alguns trechos das análises mensais:

AÇÚCAR: Março de 2026 foi marcado por uma reversão parcial da tendência baixista que havia predominado no mercado de açúcar nos meses anteriores. O Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco, estado de São Paulo, iniciou o mês na faixa dos R$ 98,00/saca de 50 kg e encerrou a R$ 105,46/sc, impulsionado pela combinação de oferta mais restrita – típica do período de entressafra – e da retomada do apetite comprador. No cenário internacional, o principal vetor de volatilidade foi o conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, cujos desdobramentos sobre o petróleo, a logística marítima e os custos de insumos redefiniram as expectativas para o mix produtivo das usinas na safra 2026/27.

ALGODÃO: Após meses operando em faixa relativamente estreita, os preços do algodão em pluma ganharam força em março, impulsionados pela resistência vendedora, pelo aquecimento da demanda e pelo suporte do mercado externo. Com isso, o Indicador CEPEA/ESALQ voltou a superar a casa dos R$ 3,91/lp e registrou a maior alta mensal desde agosto de 2022.

ARROZ: Em março, os preços do arroz em casca subiram significativamente no Rio Grande do Sul, registrando avanço superior a 12% em relação ao final de fevereiro. No entanto, a liquidez permaneceu restrita durante todo o mês, em razão da retração dos produtores, da discrepância entre os preços e os custos de produção e da cautela dos agentes. Assim, apesar da demanda firme, as negociações seguiram pontuais, envolvendo pequenos volumes.

BOI: Mesmo em meio a incertezas e aos impactos do atual conflito no Oriente Médio sobre o mercado brasileiro, o setor pecuário nacional se mostrou firme ao longo de março. Os preços da arroba do boi gordo iniciaram o mês bastante firmes, mantendo os patamares praticados em fevereiro, sustentados pela baixa oferta de animais prontos para abate e pela demanda externa aquecida.

CAFÉ: Após um mês de fevereiro de forte queda nas cotações dos cafés arábica e robusta no mercado brasileiro, março se encerrou com movimentos distintos entre os valores das duas variedades. Enquanto o preço do arábica voltou a subir no mês, ainda em função da oferta limitada e de preocupações geopolíticas, o do robusta seguiu enfraquecido em boa parte de março, uma vez que a oferta da variedade está um pouco maior que a do arábica. Além disso, a proximidade da colheita também reforçou o movimento de baixa no preço do robusta.

ETANOL: O mês de março, o último do período de entressafra, fechou com os preços dos etanóis em queda no estado de São Paulo. Mesmo assim, no acumulado do ciclo 2025/26 (de abril/25 a março/26), os valores médios do hidratado e do anidro negociados no estado de São Paulo ficaram acima dos da temporada anterior (2024/25).

FEIJÃO: Após registrarem avanços expressivos até meados de março, os preços do feijão passaram a cair nas últimas semanas do mês, pressionados sobretudo pela retração compradora. Mesmo assim, o valor médio mensal do feijão carioca superou o de fevereiro e renovou o recorde da série histórica do Cepea/CNA, iniciada em setembro de 2024. Para o feijão preto, a média mensal ficou praticamente estável frente à de fevereiro.

FRANGO: O primeiro trimestre de 2026 foi marcado por uma intensa queda nos preços do setor avícola nacional. No entanto, o período foi encerrado com expectativas de recuperação, já que nos últimos dias de março, contrariando a retração sazonal destes meses, devido sobretudo à típica menor demanda, os valores da maior parte dos produtos acompanhados pelo Cepea apresentaram forte reação. Essa inversão repentina de tendência está atrelada às influências dos conflitos no Oriente Médio sobre o setor nacional.

MILHO: Os preços do milho avançaram ao longo de março, impulsionados pela restrita disponibilidade do cereal no mercado spot brasileiro. Vale destacar que a oferta esteve limitada mesmo com a colheita da safra de verão já em andamento e diante de estoques de passagem confortáveis.

OVINOS: Março registrou elevações nos preços do cordeiro vivo na maioria dos estados acompanhados pelo Cepea. Onde houve queda, como no Rio Grande do Sul, colaboradores relataram lentidão nas comercializações.

SOJA: Os preços do óleo de soja registraram expressivas altas nos mercados nacional e internacional em março. A valorização esteve associada principalmente ao aumento das tensões no Oriente Médio, com novos ataques próximos ao Estreito de Ormuz – uma das principais rotas do petróleo mundial. Esse cenário elevou as preocupações quanto ao fluxo dessa commodity e sustentou as cotações de produtos energéticos.

TRIGO: Os preços do trigo em grão subiram no mercado brasileiro em março. As médias mensais dos estados do Sul do País operaram nos patamares de outubro/25, e, em algumas regiões acompanhadas pelo Cepea, como São Paulo, os níveis foram os maiores em aproximadamente seis meses. Esse movimento esteve atrelado sobretudo a fatores externos, como valorizações internacionais e do dólar frente ao Real, e também a expectativas para a próxima safra – dados indicam possíveis reduções de área e de produção em relação a 2025.