Abaixo, alguns trechos das análises mensais:
AÇÚCAR: Os preços do açúcar cristal recuaram em abril no mercado paulista. As cotações até abriram o mês em patamares mais elevados, com o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal (estado de São Paulo) mantendo-se acima dos R$ 103,00/saca de 50 kg na primeira quinzena, sustentadas pela baixa disponibilidade, cenário típico do final da entressafra. No entanto, com o avanço do mês, os preços passaram a cair, devido ao aumento da moagem da safra 2026/27.
ALGODÃO: Os preços do algodão em pluma seguiram em alta no mercado brasileiro ao longo de abril, com as médias mensais apresentando avanço pelo quinto mês consecutivo e retornando aos maiores patamares nominais desde julho de 2025. O movimento se deve, principalmente, ao bom desempenho das exportações, que vem contribuindo para o enxugamento dos estoques domésticos e sustentando as cotações, mesmo diante de oscilações pontuais no mercado externo. Além disso, a valorização do petróleo nos últimos meses reforçou o suporte às cotações internacionais, com reflexos positivos sobre os preços internos.
ARROZ: Em abril, o mercado spot de arroz em casca no Rio Grande do Sul foi marcado por baixa liquidez e negociações travadas durante praticamente todo o mês. Apesar do avanço consistente da colheita e do aumento gradual da disponibilidade física do grão, a comercialização permaneceu restrita diante do forte desencontro entre as expectativas de vendedores e compradores.
BOI: Em abril, o mercado pecuário seguiu caracterizado pela oferta limitada de animais prontos para abate e pela demanda externa aquecida. A combinação desses fatores tem resultado em avanços nos preços do boi gordo e nos da carne, tanto no mercado interno quanto no internacional.
CAFÉ: Os preços dos cafés arábica e robusta encerraram abril em queda nos mercados interno e externo. O movimento reflete o otimismo com a oferta global para o ciclo 2026/27, impulsionado principalmente pelas projeções de boa safra no Brasil, que deve ganhar ritmo de colheita em maio. As quedas, no entanto, foram limitadas pelo baixo nível dos estoques certificados na Bolsa de Nova York (ICE Futures) e pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, que continuam gerando incertezas quanto ao fluxo de café entre os países produtores e os principais mercados consumidores.
ETANOL: A maior oferta de etanol – diante da intensificação da moagem da nova safra 2026/27 de cana-de-açúcar e do avanço na disponibilidade de biocombustível de milho – tem mantido em queda os valores de negociação do hidratado e do anidro. Além disso, a demanda ainda sem grandes aquecimentos acaba reforçando o movimento de baixa – que é verificado tanto no mercado spot de São Paulo quanto em outros estados do Centro-Sul.
FEIJÃO: Em um contexto de transição entre o encerramento da primeira safra e o início da segunda, o mercado de feijão carioca manteve protagonismo, com dois momentos distintos ao longo de abril. Na primeira quinzena, os preços recuaram devido à dificuldade do atacado e do varejo em repassar custos aos consumidores e à postura cautelosa dos compradores. Já na segunda metade do mês, a combinação entre oferta restrita, necessidade de recomposição de estoques e maior disputa por lotes de melhor qualidade sustentou uma forte reação nas cotações.
FRANGO: Após um primeiro trimestre de quedas consecutivas, o mercado avícola nacional encerrou abril com alta nas cotações de todos os produtos da cadeia – vale lembrar que, apesar do aumento, os preços ainda são considerados baixos frente aos verificados no ano passado. O movimento foi impulsionado pela valorização do frango inteiro, reflexo do aumento da demanda doméstica pela carne e dos reajustes nos custos de frete.
MILHO: Os valores do milho voltaram a registrar quedas intensas ao longo de abril, sobretudo na primeira quinzena do mês, quando houve o baixo interesse de compradores, que se mantiveram cautelosos nas negociações. Parte desses agentes relatava ter estoques e também estar atenta aos bons volumes dos estoques de passagem da temporada 2024/25 e à maior colheita da safra verão 2025/26.
OVINOS: Os preços dos produtos ovinícolas subiram por mais um mês na maioria dos estados acompanhados pelo Cepea em abril, reflexo da baixa oferta de animais. No Rio Grande do Sul, os preços do cordeiro vivo aumentaram 1% de março para abril, a R$ 13,08/kg. Em São Paulo, as cotações subiram 0,8% no mesmo período, com média de R$ 15,25/kg.
SOJA: A maior oferta na América do Sul e as expectativas de expansão da área cultivada nos Estados Unidos pressionaram as cotações da soja nos Estados Unidos e no Brasil em abril. No mercado nacional, a queda foi intensificada pela desvalorização do dólar frente ao Real – de 3,8% no mês e de 12,9% em relação ao mesmo período do ano anterior –, com a moeda cotada, em média, a R$ 5,03 em abril, o menor patamar desde março de 2024 (R$ 4,98).
TRIGO: Os preços do trigo em grão consolidaram um movimento de recuperação em abril. Esse avanço ocorreu em um contexto de restrição de oferta e baixa liquidez, características típicas do período de entressafra. Vendedores estiveram retraídos, limitando a oferta no mercado spot à espera de melhores condições de comercialização.