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CNA e Cepea apontam crescimento de 12,2% do PIB do agronegócio em 2025

Por: CNA Brasil | 7 de maio de 2026

 

Brasília (04/05/2026) – O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio registrou crescimento de 12,2% em 2025 na comparação com 2024, totalizando R$ 3,20 trilhões, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Com este resultado, a participação do setor no PIB total do país subiu de 22,9% em 2024 para 25,13% no ano passado.

O desempenho do ano foi impulsionado principalmente pelo setor primário (dentro da porteira), que apresentou expansão de 17,06%, sustentado principalmente pelo aumento da produção de culturas como soja, milho, café e laranja e pelo aumento da produção e dos preços na pecuária.

O segmento de agrosserviços teve crescimento de 13,76%, acompanhando o crescimento da produção (especialmente pecuária), seguido por agroindústria (5,60%) e insumos (5,37%).

Pecuária – A pecuária teve papel de destaque na expressiva expansão do PIB do setor, com alta de 32,55%, puxada pela valorização dos preços e pelo aumento da produção em todas as atividades, com destaque para carnes, leite e ovos.

A agricultura teve crescimento mais moderado, de 3,40%, impactado pela queda de preços de algumas culturas, como soja, arroz, cana-de-açúcar e algodão e em parte da agroindústria, apesar do bom desempenho da produção dentro da porteira.

“O resultado de 2025 reflete a continuidade da recuperação iniciada no segundo semestre de 2024. Ainda que o ritmo tenha perdido força ao longo dos trimestres, o desempenho anual confirma a resiliência e a relevância do agronegócio para a economia brasileira”, explicam CNA e Cepea.

Apesar do avanço no acumulado do ano, o PIB do agronegócio recuou 1,11% no quarto trimestre de 2025 em relação ao trimestre anterior.

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O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro, calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), recuou 1,11% no quarto trimestre de 2025 em comparação com o terceiro trimestre, acumulando, ainda assim, alta de 12,20% no ano.

Na comparação entre o terceiro e o quarto trimestres de 2025, houve recuos do PIB em todos os segmentos do agronegócio. As variações negativas foram de 2,32% nos insumos, 0,92% no segmento primário, 1,48% nas agroindústrias e 0,86% nos agrosserviços, conforme indicado na Tabela 1. A desaceleração do crescimento do PIB já era esperada, conforme apontado em relatórios anteriores, uma vez que o avanço expressivo observado nos trimestres precedentes se deveu, sobretudo, à valorização dos preços no setor iniciada na segunda metade de 2024 e que começou a perder força no terceiro trimestre de 2025 (3T2025).

Tabela 1. PIB do Agronegócio: Taxa de variação trimestral (%)

PIB do Agronegocio Tabela 01

Fonte: Cepea/USP e CNA

Sob a ótica dos ramos do agronegócio, o 4T2025 foi marcado por retração no ramo agrícola, com variação de -2,43%, e por crescimento no ramo pecuário, de 1,81%. No ramo agrícola, foram observadas quedas em todos os segmentos, com variação negativa de 1,91% nos insumos, 1,38% na agricultura, 2,80% nas agroindústrias e 2,79% nos agrosserviços. No ramo pecuário, por sua vez, houve recuo de 2,87% nos insumos e de 0,08% no primário, mas crescimento de 2,88% nas agroindústrias e de 3,15% nos agrosserviços, conforme apresentado na Tabela 1.

Ao se analisar o desempenho acumulado de 2025 (Tabela 2), observa-se crescimento de 12,20% no PIB do agronegócio em relação a 2024. Esse resultado decorreu do avanço no ramo agrícola, que registrou alta de 3,40%, e,sobretudo, do ramo pecuário, cujo crescimento foi mais expressivo, atingindo 32,55%.

Tabela 2. PIB do Agronegócio: Taxa de variação acumulada no período (%)

PIB do Agronegocio Tabela 02

Fonte: Cepea/USP e CNA

Apesar da expressiva expansão registrada no acumulado do ano, é importante ressaltar que o resultado foi impulsionado, sobretudo, pela elevação dos preços reais ao longo do período. No primeiro semestre de 2024, os preços ainda se mantinham em patamares relativamente baixos. Contudo, a partir do segundo semestre daquele ano, observou-se uma valorização mais consistente, que se intensificou no último trimestre. Esse movimento de alta, inclusive, contribuiu para reverter o resultado do PIB do agronegócio em 2024, que até então apontava retração. Em 2025, os preços reais permaneceram em níveis elevados, embora o movimento de alta tenha apresentado perda gradual de fôlego ao longo dos trimestres. Com a incorporação dos dados referentes ao último trimestre do ano, conforme já era esperado, o desempenho do PIB do agronegócio foi relativamente mais contido do que aquele projetado pelas análises parciais. Mesmo assim, o resultado mostrou um crescimento importante, sustentado tanto pelo aumento da produção quanto pela manutenção de preços reais em patamares superiores aos observados em 2024.

Cabe destacar, contudo, a magnitude do crescimento observado no ano, que representou o segundo maior resultado da série histórica do PIB do agronegócio. Para além da elevação dos preços reais no setor, também se verificou um avanço consistente da produção, evidenciado pela variação positiva do volume de produção agregada (PIB-volume), que registrou crescimento de 6,76% no período. Esse cenário, caracterizado pela combinação entre expansão da produção e elevação de preços, não é usual no setor. Em anos anteriores marcados por forte crescimento do volume produzido – como 2004, 2010, 2013, 2017 e 2023 – observou-se, em geral, movimento oposto nos preços, que tenderam a apresentar retração.

Sob a ótica dos segmentos, o PIB dos insumos acumulou crescimento de 5,37% em 2025. Esse resultado refletiu o desempenho positivo dos insumos de base agrícola, que avançaram 12,51%, em contraste com a retração dos insumos de base pecuária, que registraram queda de 11,67%. A expansão dos insumos agrícolas esteve associada ao aumento das atividades nas indústrias de fertilizantes, defensivos e máquinas agrícolas, em resposta ao maior volume de produção ao longo do ano. No caso específico dos fertilizantes, o desempenho também foi impulsionado pela elevação dos preços. Já o resultado negativo dos insumos pecuários foi influenciado pela retração da indústria de rações, em um contexto marcado pela redução dos preços.

No segmento primário, o PIB registrou crescimento acumulado de 17,06% no período analisado. Tanto o ramo agrícola quanto o pecuário apresentaram variações positivas expressivas, de 13,09% e 24,16%, respectivamente. No ramo agrícola, o desempenho observado foi predominantemente atribuído ao aumento da produção projetada para 2025, com destaque para culturas do milho e do café, considerando-se a redução dos preços médios verificada no período. Por outro lado, no ramo pecuário, o desempenho esteve associado ao maior valor da produção, sustentado por preços superiores aos observados em 2024 e pelo aumento da produção nas atividades acompanhadas.

O PIB do segmento agroindustrial cresceu 5,60% em 2025. Esse resultado refletiu desempenhos bastante distintos entre os ramos: enquanto as agroindústrias de base agrícola registraram retração de 3,33%, as de base pecuária apresentaram forte expansão, de 36,54%. Na indústria agrícola, o resultado negativo esteve associado principalmente à queda dos preços, apesar do suporte proporcionado pelo aumento da produção. Já na agroindústria de base pecuária, o crescimento expressivo foi impulsionado, sobretudo, pela elevação dos preços, além do maior volume produzido ao longo do ano – desempenho favorecido, em grande medida, pelo excelente resultado das exportações.

Por fim, o PIB dos agrosserviços registrou crescimento acumulado de 13,76% no período, resultado da expansão observada tanto nos serviços vinculados ao ramo agrícola quanto, sobretudo, ao ramo pecuário. Os agrosserviços de base agrícola avançaram 1,13%, enquanto os de base pecuária apresentaram crescimento expressivo de 41,59%. No caso do ramo agrícola, o desempenho refletiu a evolução dos segmentos de insumos e da produção primária. Já no ramo pecuário, a expansão mais intensa esteve associada ao forte dinamismo da produção e da atividade econômica ao longo de toda a cadeia produtiva, tanto dentro quanto fora da porteira, conforme detalhado na Tabela 2.

Com base nos dados de janeiro a dezembro de 2025, o PIB do agronegócio brasileiro alcançou R$ 3,20 trilhões no ano, sendo R$ 2,06 trilhões no ramo agrícola e R$ 1,14 trilhão no ramo pecuário, a preços do quarto trimestre de 2025, conforme apresentado na Tabela 3. Considerando esse resultado e a evolução do PIB brasileiro, a participação do agronegócio na economia nacional foi de 25,13% em 2025, acima dos 22,9% registrados em 2024.

Tabela 3. PIB do Agronegócio, seus ramos e segmentos (em R$ milhões do quarto trimestre de 2025*)

PIB do Agronegocio Tabela 03

Fonte: Cepea/USP e CNA. * Valores deflacionados pelo deflator implícito do PIB

Fonte: CNA BRASIL